Inventário e Partilha: Como a Engenharia Resolve Inventários Travados

O falecimento de um ente querido traz, além do luto, a necessidade de organizar o patrimônio familiar. Porém, é extremamente comum que o processo de Inventário e Partilha trave quando chega na etapa dos imóveis. O motivo? A documentação técnica da terra ou da casa não condiz com a realidade física.

Muitos advogados enfrentam dificuldades para finalizar partilhas porque o imóvel “no papel” é uma gleba única, mas na prática, existem várias casas ou divisões informais feitas pelos herdeiros. É aqui que entra a engenharia para destravar o processo.

O Problema: Imóvel Irregular não pode ser Partilhado Corretamente

Para que cada herdeiro receba sua parte legalmente — com matrícula própria e individualizada no Cartório de Registro de Imóveis — o imóvel original precisa estar regular. Se a família possui um terreno grande e quer dividir em três partes (uma para cada filho, por exemplo), não basta colocar no contrato. É necessário realizar um processo técnico de Desmembramento.

O Papel do Levantamento Topográfico na Partilha

Antes de qualquer divisão jurídica, é preciso medir a realidade. O levantamento topográfico vai:

  1. Confirmar a área total real (que muitas vezes difere da escritura antiga).
  2. Mapear as construções existentes.
  3. Definir as confrontações exatas com vizinhos.

Sem essa planta assinada por um responsável técnico (Engenheiro ou Arquiteto), o juiz ou o cartório não têm base técnica para homologar a divisão das terras.

Desmembramento e Divisão de Glebas

Após a medição, elabora-se o projeto de divisão (desmembramento). Este projeto deve respeitar as leis municipais (fração mínima de lote) e as leis ambientais.

Com o projeto de desmembramento aprovado na Prefeitura, é possível levar ao cartório e criar novas matrículas. Assim, ao final do inventário, o Formal de Partilha já direciona a matrícula X para o Herdeiro A e a matrícula Y para o Herdeiro B. Isso valoriza o patrimônio de todos e permite a venda futura sem burocracia.

E se não houver documentos? A Usucapião.

Em casos onde o imóvel de herança nunca teve escritura (apenas contrato de gaveta ou posse), o caminho pode ser a Usucapião (Judicial ou Extrajudicial). Neste cenário, a planta e o memorial descritivo elaborados pelo engenheiro são as provas principais para demonstrar a posse e adquirir a propriedade definitiva.

Conclusão

Não deixe que a falta de documentação técnica transforme o patrimônio da família em um problema arrastado por gerações. A Regularização de Imóveis em Inventário é a chave para transformar posse em propriedade plena.

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